Na busca da cura.

14:51

Imagem do Deviantart de LiliteD
Vamos lá ver uma coisa: uma vez que já se sabe o que se tem, passa-se logo para a fase de tratamento.
Pode ser uma uma mudança mínima no teu comportamento, mas já começaste tratamento a partir do momento que sabes do que se trata todas essas tonturas, sensações estranhas de formigueiro, visão turva, palpitações, enjoo e tudo mais.

Como disse no post anterior, foi com consulta ao médico de família e, mais tarde, com alguma pesquisa na Internet, que finalmente encontrei o nome para o «meu» monstro. Com nome na mão, comecei logo a pesquisar tratamento.
Já li uns livros, artigos na Internet e já ouvi várias recomendações. 
É um pequeno resumo disso tudo, que vou falar hoje. 


A verdade é esta: é tudo um jogo psicológico. Um jogo de cedências, por assim dizer.

- Como já descrevi no post anterior, um dos grandes obstáculos que encontrei nisto tudo foi o facto de ficar de tal forma enjoada de manhã que não conseguia comer. Por isso, comecei a levar uma bolachas de água e sal, ou daquelas integrais sem sabor, para o quarto. Assim acordava e calmamente, sem sair da cama, metia à boca umas duas bolachitas e pensava: «pronto, agora vai beber algo e daqui a uma hora ou duas, quando estiveres mais calma, comes mais alguma coisa.» - repito: jogo.

- Outra grande mudança que fiz na altura foi implementação da meditação.  Li algures que meditação ajudava a controlar pensamentos. E se realmente ajuda a controlar pensamentos, isso possibilitava-me controlar aqueles «monstrinhos» que me assaltavam a mente mal acordava. Por isso comi as bolachas, em silêncio, cruzava as pernas e limpava a mente. Pensava em paisagens daquelas que perdemos a vista...que não sabes onde acabam. E ficava assim uns 10 minutos. É tudo meio difícil no inicio. Se fosse fácil ninguém sofria de ataques de pânico, mas aprender a controlar esses pensamentos é um grande passo para a cura.

- Outra coisa que fazia na altura (e que ainda faço) foi criar pequenos rituais que me permitissem sair de casa e levar um bocado da minha «zona de conforto» comigo. Com isto criei o ritual de ter sempre o telemóvel comigo em caso de emergência, avisar a minha mãe para estar atenta ao telemóvel (caso eu ligue), levar uma garrafa de agua, um leque para quando tivesse aqueles ataques de calafrios e uma caixinha de pastilhas elásticas. Tudo jogo mental. Eu quase nunca liguei à minha mãe, mas acalmava a mente o saber que ela estava à distância de um telefonema.

- Alimentação: cortei bebidas gaseificadas e o excesso de açúcar na minha alimentação. Tinha lido algures que açúcar a mais criava aquela agitação, assim como bebidas com gás que continham não só o açúcar, mas a cafeína e o gás que me causava mal-estar.

- Sempre que sentia que ia ter um ataque, forçava-me a ir fazer algo. Ia ler, falar, metia uma pastilha elástica à boca, bebia agua e fazia, silenciosamente e sem grande alarido, exercícios de respiração. O simples obrigar-te a concentrar na tua respiração, já acalma e muito. Estás concentrado naquilo e só aquilo. Inspira, aguarda uns segundos, expira, e assim sucessivamente.

- Mais para a noite, voltava a meditar, lia um bocado antes de dormir e pronto. Rotina terminada.

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Nas primeiras consultas ao médico de família, ele chegou a falar de que deveria fazer Yoga. Com muita pena minha, ainda não consegui experimentar. Primeiro porque onde vivia (uma vila) não havia ninguém formado no assunto para dar aulas; segundo porque, quando mais tarde abriu um ginásio com Yoga no programa, o custo mensal era muito grande. Agora que estou de volta à cidade, pode ser que encontre algo mais acessível e comece a praticar.

Outro factor a ter em conta é o exercício físico. Sim, eu sei que é chato, mas necessário. Lembro-me que no inicio fazia para me sentir de tal forma cansada que à noite nem tinha tempo para pensar e adormecia logo. Ajudou imenso: distrai o corpo e mente, ainda ajuda na linha e ficas mais descansada.
Já não sei onde, mas li algures que o stress e o estado de alerta em que vivemos, vem desde os primórdios do ser humano (caça, lutas e tudo mais). Uns, mais que outros, não aprenderam a lidar com esse espaço de alerta, por isso o melhor e descarregar essa energia em algum exercício físico. (Fez sentido? É algo assim do género!)

Outra grande ajuda é Psicólogo/Psiquiatra
Infelizmente, devido a custos, também desisti de ambos. Primeiro tive uma psicóloga que me foi bastante útil, apesar de pequeno numero de consultas que tive. Útil porque só o simples facto de desabafar, já tira meio peso das costas. Se for com um profissional, melhor ainda. Ela deu-me um pequeno exercício de respiração que me foi bastante útil em casos extremos de ataques de pânico que tive.
Consistia em deitar-me, braços afastados do tronco e pernas separadas. O exercício era simples e tinha como objectivo abstrair  a tua mente e controlar a respiração. Só tinhas de pensar em cada parte do teu corpo. Cada pequeno detalhe, de cada dedo do pé até a um sinal ou cicatriz. E por cada detalhe que te lembravas, tinhas de controlar a respiração (inspira, aguarda uns segundos, pensa, responde e expira).


Psiquiatra já foi algo mais recente. Ao terminar licenciatura, encontrei-me novamente de volta aos ataques mais frequentes. Estava nervosa, como toda a gente, mas como sofro disto, o meu nervosismo é ampliado para mil. Procurei então um Psiquiatra e devo confessar que não foi das melhores experiências (no entanto, atenção, isto foi no meu caso e contigo pode ser diferente!!). Não foi boa experiência porque primeiro, só ele é que falou. Ia-me dizendo sintomas e eu dizia se sentia ou não. No final ainda disse uma frase toda bonita que até gostei e me fez rir e nisto imprime receita e manda-me para casa com anti-depressivo e ansiolítico. Desconfiada como sou e curiosa porque o médico pouco ou nada falou dos medicamentos, fui ler a bula. PIOR COISA QUE DEVIA TER FEITO. Vi efeitos secundários que são horríveis e assustadores e depois ainda fui ter a um fórum onde mil e uma pessoas falavam da dificuldade do processo de desmame dos medicamentos. (Desmame: diminuição da dosagem do medicamento até à sua eliminação). Ainda falavam de como pioraram sintomas nas primeiras semanas de medicação, outros de como se sentia apáticos e sem vida, ...enfim. 
Conclusão: não tomei medicação. A falha aqui foi minha e do psiquiatra. Minha porque devia confiar no profissional. E dele porque não me deixou falar, na primeira consulta larga-me em coisa de 20 minutos com uma receita de dois medicamentos super pesados, e porque nada falou sobre estes.

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Actualmente ainda pratico o que falei neste post e vou acrescentar a isto o Yoga (ando já na pesquisa pela cidade de centro de Yoga com pessoas QUALIFICADAS) e penso voltar às consultas de psicologia. Tenho medo da medicação mas não descarto a possibilidade de um dia precisar dela, pois sei muito bem que já ajudou MUITAS pessoas! Até lá, vou tentar uma via mais natural. Se não resultar, então procuro OUTRO psiquiatra e vejo o que ele tem para me dizer e receitar.

Uma última coisa que devem ter em mente: poucos são aqueles que podem e conseguem se isolar por completo do stress. Ele está em todo o lado. No trabalho, rua, casa. Por isso mentaliza que não há cura para ansiedade. Todos sofremos com ela, é algo natural do ser humano. É esse medo que nos deixa alerta para pequenos acidentes domésticos como deixar cair um garfo ou algo do género. Por isso é IMPOSSÍVEL (ou muito MUITO pouco provável) desligares-te por completo do que te rodeia. O que tens de fazer é aceitar e aprender a lidar com isto. Mais nada :) Se uns conseguem, então também conseguimos.

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Espero ter ajudado! Alguma dúvida ou se precisarem falar sobre isto, podem deixar comentário ou preencher o formulário na lateral direita do blog :) Respondo sempre!

Força,
Cisma!

Próximo post vou dar uns pequeninos conselhos a quem tem e não sabe como lidar com pessoas que sofrem de ansiedade. (e vai ser um post agendado, por isso vamos ver se corre bem ;) )

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10 Comments

  1. Olá Cisma. Ainda não tive tempo para ler muito do teu blogue, mas pelo "sobre mim" já percebi que me identifico BASTANTE.
    É sempre bom saber que não se está sozinha. Força.

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    1. É sempre uma mais valia saber que não se está sozinho e que isto tudo não são coisitas fruto da nossa imaginação. Estás à vontade :) sem pressas! Qualquer coisa, ... ando por aqui! Força para ti também :D Beijinho*

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá

    Eu sou psicóloga e achei interessante o facto de colocares aqui o teu testemunho. Lamento profundamente que com um problema que tem sido amplamente estudado pela comunidade científica e que tem dado provas de terapias empiricamente validadas, te vejas privada de tratamento por questões económicas e por falta de psicólogos suficientes no nosso sistema de saúde. Se puderes voltar às consultas não vais apenas desabafar como as pessoas acham. Além dos exercícios de respiração, vais também aprender a trabalhar os pensamentos e a fazer a exposição às sensações físicas de que tens receio. Boa sorte.

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    1. Olá Brandie :)

      Antes de mais, muito obrigada pelo teu comentário. É realmente frustrante chegar a um consultorio e ver o preçário de consultas na ordem dos 50 euros para cima. Sei bem que têm contas para pagar, comida para comprar e tudo mais, mas no meu caso, estando numa vila, onde não há psicólogos, e estando impossibilitada de ir e vir à cidade, gastar dinheiro com combustível e pagar 50 euros à semana ou de 15 em 15 dias...é muita coisa. Pode ser que agora, que voltei à minha cidade-natal, consiga encontrar finalmente um profissional que se pareça interessado com o meu caso e que não cobre ouro e diamantes pelo tratamento. Sim, porque o interesse também foi uma das razões para que desisti do meu psiquiatra. Entrei, mal falei, só dizia «sim» e «não» às perguntas dele (perguntava-me sintomas) e saí de lá com uma receita para dois medicamentos pesados e sem explicação como eles actuam no sistema. Tudo isto em menos de 20 minutos.

      Anyway, muito muito obrigada pelo teu comentário :) és sempre bem vinda/o!

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  4. olá, eu sofro de cismas constantes a algum tempo sensivelmente meio ano e é uma coisa que me assusta bastante , só tenho 17 anos e isto esta a mudar drasticamente a minha vida , mas vou seguir-me no teu exemplo e tentar mudar de uma vez a minha vida , porque as cismas é uma coisa realmente sufocante... Eu também tenho a psicóloga da escola e ela ajudou-me nos ataques da panico, mas este sentimento de que os meus pensamentos são mais fortes que eu continuam aqui, e vou tentar mudar isso, seguindo o teu exemplo e ver se encontro uma melhor qualidade de vida

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    1. Querido/a anónimo/a:
      Antes de mais, mil desculpas pelo atraso na resposta mas como podes ver pelos últimos posts, a vida não está fácil.
      Fico mesmo muito MUITO feliz ao ler as tuas palavras, sério. Não sou nenhum exemplo a seguir mas se me vez como tal, por favor vê e segue apenas o «meu» lado positivo. Como toda a gente, tenho os meus defeitos e apesar de parecer que estou agora a afogar-me neles, eu sei que tudo passa. Por isso mentaliza isto também: tudo passa!
      Vais conseguir viver com os ataques, ansiedade e tudo mais. Vais conseguir encontrar uma forma de contornar tudo de mau. Vais ver!! Confio em ti! Qualquer coisa, envia-me email! Beijinho e força!! e Obrigada <3

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  5. gostava que me ajudassem a tirar esta cisma da cabeça ou seja cismo com o meu olhar muito forte e que as pessoas olham e comentam só pode ser paranoia mas preciso de ajuda nao consigo me libertar deste pesadelo.

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  6. Eu sofro de ansiedade e cismo que me possam dar um avc ou tumores cerebrais.
    Tenho 15 anos e quero ajuda para parar de cismar com isso pois quando me dão as cismar vou ler ao Google os sintomas dessas doenças e depois começo a sentir esses sintomas,chama - se somatização isso acho.Eu quero ajuda porque não há um dia em que viva 100% bem :(

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